Ceriblog

Creatio Continua

Author: ceribelli (page 1 of 20)

To The Actor

Excerpt of the book “To The Actor”, by Michael Chekhov

It is evening. After a long day, after much work and many impressions, experiences, actions and words – you let your tires nerves rest. You sit quietly with your eyes closed. What is it that appears out of the darkness before your mind’s eye? You review the faces of people you’ve met during the day, their voices, movements, their characteristic of humorous features. You run again through the streets, past familiar houses, read the signs. Passively, you follow the motley of images of your memory. 

Unnoticed by yourself you step back over the boundaries of today, and in your imagination slowly arise visions of your past life. Your forgotten and half-remembered wishes, daydreams, life’s aims, successes and failures appear as pictures before your mind. True, they are not so faithful to the facts as recollections of the day just passed. Now they are, in retrospect, slightly changed. But you still recognize them. With your mind’s eye, you now follow them with greater interest, with more awakened attention, because they are changed, because they now bear some traces of imagination. 

But much more happens. Out of the visions of the past, there flash here and there images totally unknown to you! They are pure products of your Creative Imagination. They appear, disappear, they come back again, bringing with them new strangers. Presently they enter in relationships with one another. They begin to “act”, to “perform” before your fascinated gaze. You follow their heretofore unknown lives. You are absorbed, drawn into strange moods, atmosphere, into the love, hatred, happiness and unhappiness of these imaginary guests. 

Your mind is now fully awake and active. Your reminiscences grow paler and paler; the new images are stronger than they. You are amused by the fact that these new images possess their own independent lives; you are astonished that they appear without your invitation. Finally, these newcomers force you to watch them with greate poignancy than the simple pictures of everyday memory; these fascinating guests, who made their appearance from nowhere, who live their own lives full of emotions, awaken your responsible feelings. 

They force you to laugh and cry with them. Like magicians, they call up in you an unconquerable desire to become one of them. You enter into conversations with them, you now see yourself among them; you want to act, and you do so. From a passive state of mind, the images have uplifted you to a creative one. 

Such is the power of imagination. 

In our age, humanity is inclined to forget that to progress culturally, life, and especially the arts, must be permeated with all kinds of intangible powers and qualities; that what is tangible, visible and audible, is but a small part of our optimum existence and has little claim upon posterity.

To the Actor

Trecho do livro “To the Actor”, de Michael Chekhov. Traduzido por Ceriblog


É tarde. Depois de um longo dia de trabalho e de muitas impressões, experiências, ações e palavras – você relaxa e tenta descansar. Você senta com seus olhos fechados. O que aparece na escuridão, em frente aos olhos de sua mente? Você revisita os rostos das pessoas que você encontrou durante o dia, suas vozes, movimentos, suas características e humores. Você corre novamente pelas ruas, passa por casas familiares, lê os sinais. Passivamente, você acompanha a multidão de imagens em sua memória.

Sem perceber, você ultrapassa os limites de hoje, e em sua imaginação surgem visões de sua vida passada. Seus desejos esquecidos e não realizados, seus anseios, seus objetivos, suas vitórias e suas derrotas aparecem como imagens em sua mente. Na verdade, elas não são fiéis aos fatos; essas imagens não são cristalinas como o dia que acabou de passar. Elas estão um pouco diferentes. Mas você ainda as reconhece. Visualizando mentalmente, você acompanha o movimento delas com um grande interesse, com uma atenção redobrada, porque elas estão mudadas. Elas, agora, carregam alguns traços de sua imaginação.

Muito mais acontece… Nas visões do passado algumas imagens surgem, aqui e ali, que são totalmente desconhecidas para você! Elas são produto de sua imaginação criativa. Elas aparecem, desaparecem, e ressurgem novamente, trazendo com eles novos desconhecidos. Eles se relacionam. Eles começam a “atuar”, praticar “perfomances” diante de seu olhar fascinado. Você segue suas vidas. Você fica absorto, sendo carregado até sentimentos estranhos, diferentes atmosferas, casos de amor, ódio, felicidade e infelicidade desses hóspedes imaginários.

Você está acordado, e sua mente está ativa. As reminiscências de si mesmo ficam cada vez mais distantes; essas novas imagens são mais fortes. Você se surpreende pelo fato de cada uma delas possuir uma vida independente; elas aparecem sem convite.

Elas te forçam a sorrir e chorar com eles. Como mágicos, eles te convidam para o palco, e você tem o desejo incontrolável de se juntar a eles. Você faz parte das conversas, e se vê junto com eles; você quer atuar, e você faz isso. De um estado mental passivo, essas imagens te fizeram agir.

Este é o poder de sua imaginação.

Wreckage – Trauma in Colors

Tive o prazer enorme em fazer parte de um episódio do programa de rádio Nektar Island, apresentado pelo amigo Chawat Lancien e por Christian Müller na K2K Radio. Nós também falamos no telefone com o grande Martim Fernandes (compositor da trilha original do filme), e conversamos um pouco sobre o processo de criação do curta “Inventário”. De quebra, ainda botamos para tocar Eletroímãs Catalíticos e Crappy Jazz 🤘

Para ouvir o episódio completo, é só clicar no link acima!

Wreckage – Trauma in Colors

I had an amazing time at the radio show Nektar Island, hosted by my good friend Chawat Lancien and Christian Müller at K2k radio (@k2kradio). They invited me there to talk a bit about the short film Wreckage; we also reached out to the composer of the movie OST – my old time pal Martim Fernandes, who said a few words about the process of creating music for film.  

To make things even better, we also listened to some great tunes; including songs by Eletroímãs Cataliticos and Crappy Jazz 🤘 click above to listen the full episode!

(O Londrinense – 19/06/2019)

Matéria ‘O Cinema em Londrina’, publicada no jornal O Londrinense

Produções cinematográficas da cidade ganham forma e levam seu nome para festivais dentro e fora do Brasil com prêmios e indicações

Escrito por: Vinícius Fonseca

Hoje, 19 de junho, é comemorado o “Dia do Cinema Brasileiro”. E a cidade de Londrina tem muito do que se orgulhar nessa data. Embora relativamente distante do eixo Rio-São Paulo, o município se notabiliza por suas produções cinematográficas. São curtas, longas e até séries para a televisão sendo rodadas com equipes de profissionais que nasceram ou escolheram a “pequena Londres” como o seu lugar de morada. Algumas dessas obras têm, inclusive, representado o País em Festivais Internacionais.

O cineasta Rafael Ceribelli viveu essa experiência recentemente quando o curta “Inventário” (2019) recebeu o prêmio de melhor curta-metragem (Drama) no Creation International Film Festival (CIFF), em Apple Valley, Califórnia. Este é o primeiro prêmio da obra que já havia sido indicada à categoria de design de produção no RedLine International Film Festival no Canadá. “Esses prêmios e indicações validam o trabalho de toda uma equipe e isso é sempre muito bom”, comemora. Ele lembra que já teve um curta circulando em festivais internacionais, como foi o caso de “A Caça” (2017). Filme que, segundo o próprio cineasta havia sido feito como equipe reduzida e recursos próprios.

Aliás, sobre o set de trabalho e as amizades que são formadas nesse meio, Ceribelli reforça ainda mais o potencial de Londrina para as produções da 7ª arte. “(A cidade), tem sempre jovens criando e se especializando, querendo fazer cinema”, diz ele ao lembrar que se envolveu de forma direta ou indireta em diversas obras locais nos últimos anos.

A efervescente vocação cultural de Londrina, com a realização de festivais em diferentes segmentos – inclusive cinema – e o espírito de uma cidade estudantil com a presença de Instituições de Ensino Superior, dentre elas a Universidade Estadual, e seus cursos voltados à artes são alguns dos motivos elencados para justificar a forte cena cinematográfica da cidade.

Bastidores de Inventário, estrelado por Adriano Garib (Foto Marina Pires)

As qualidades londrinenses também são destacadas pela roteirista Alessandra Pajolla, que escreveu “Inventário”, além de já ter roteirizado e dirigido o curta “Redenção”, também de 2019. Para ela, embora a cidade esteja fora do eixo Rio-São Paulo, referência da produção cinematográfica nacional, a cidade tem inúmeras vantagens que podem ser aproveitadas. “Londrina tem profissionais excelentes e cursos para capacitar mais gente. Uma cidade com belas locações e cujas produções custam mais barato do que nos grandes centros”, indica.

Como o grande desafio, não só de Londrina, mas de todo o cinema nacional, Alessandra aponta a formação de público. De acordo com a roteirista, é muito difícil para filmes brasileiros competirem com o grande investimento das produções de Hollywood. “Formar o público é um desafio que passa pelo entrave da distribuição. É preciso mais salas e horários”, considera. “Hoje, quando um filme nacional estreia, o público tem que correr para o cinema porque é grande a probabilidade de ficar apenas uma semana em cartaz. Se estrear com algum blockbuster, não tem como competir”, lamenta.

Dono de uma longa carreira na produção cinematográfica e um dos coordenadores da produtora Kinopus, o cineasta Rodrigo Grota concorda que ainda é necessário pensar em formas de aumentar o público, mas pondera que o cinema nacional tem melhorado seus números com o passar dos anos.

Cartaz do filma Isto (não) é um Assalto

Ele cita o exemplo do filme-documentário, “Isto (não) é um Assalto”, que teve mais de 1 mil espectadores ao longo de três semanas, primeiro longa local a ser exibido em circuito comercial na cidade. “Isso sem verba para divulgação. Considero que esse público foi ótimo para um longa que teve um orçamento irrisório de R$ 45 mil”, vibra.

A frente da “Super Família” (2019), primeira série ficcional para TV rodada em Londrina, Grota avalia que a cidade atua tanto de forma decisiva quanto de forma indireta em cada uma das obras que saem daqui. “Gosto da ideia de que a cidade é ao mesmo tempo algo tão presente e também tão oculta. A cidade já tem um imaginário. Nosso papel é tentar nos aproximarmos desse sentimento que, de certa forma, sempre escapa”.

O nome de Londrina levado longe

Em Londrina já foram produzidos curtas, longas, documentários, séries. Produtos cinematográficos que têm circulado o Brasil e o mundo em festivais de cinema. E levado o nome da cidade cada vez mais longe.

O empresário e produtor cultural, Bruno Marconato começou a se interessar pelos trabalhos produzidos aqui em 2014 e desde então veio se especializando na área e compondo equipes nos sets de filmagem.

Marconato lembra que, em 2018, foi aberto um edital voltado ao interior do Paraná, pelo Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura (Sisprofice), voltado ao audiovisual e dos sete projetos selecionados, seis eram de Londrina. “Desses eu trabalhei em quatro produções”, lembra ele.

Em “Inventário”, uma das produções com a qual esteve envolvido, Marconato foi responsável pela equipe indicada a prêmio RedLine International Film Festival no Canadá e vê isso como um sinal de que o cinema londrinense tem tudo para ir cada vez mais longe. “A indicação é a prova que as equipes de Londrina estão prontas para extrapolar a cidade e ocupar outros espaços. As produções daqui tendem a crescer em qualidade”, sinaliza.

Para Rodrigo Grota, que também já foi premiado com produções rodadas por aqui, há algo de especial em retratar Londrina e representa-la em festivais pelo Brasil e pelo mundo. “Fico feliz, pois Londrina tem uma história, uma memória afetiva, e os filmes contribuem para que essa paisagem ficcional possa ser ampliada. Quase todos os filmes que dirigi só poderiam ser rodados em Londrina”, diz.

Arranjo Produtivo Local impulsiona o cinema londrinense

A indústria audiovisual em Londrina acaba gerando diversos empregos e movimenta a economia local. Estima-se que sejam gerados aproximadamente 1 mil empregos diretos e até 5 mil postos de trabalho de forma indireta.

Para melhor organizar o setor e dar mais representatividade a ele em âmbito estadual e nacional, foi fundado, em 2017, o Arranjo Produtivo Local (APL), para o fomento do audiovisual, conforme lembra o atual presidente do órgão, Guilherme Peraro. “Reunimos algumas produtoras e cada um contou sobre as dificuldades que enfrentava. A partir disso criamos o APL”. 

Segundo Peraro, os “frutos” colhidos por Londrina hoje, remontam a um trabalho de, pelo menos, duas décadas, quando começou a ser idealizado o primeiro festival do segmento na cidade. “Fazer cinema é muito caro. Você precisa de um alto investimento, envolve muitas pessoas, mas com esses 20 anos de aprendizado é muita experiência”, relata.

Ainda de acordo com o presidente do APL, para manter o bom nível das produções no município é preciso formar ainda mais mão de obra qualificada e a instituição pretende se valer do perfil universitário existente por aqui. “Nós temos uma pós-graduação em cinema, mas o objetivo do APL é que possamos ter uma graduação na área aqui também”, revela.

Perspectivas para o Futuro  

Embora a produção cinematográfica no Brasil imponha desafios como a necessidade da formação de mão de obra qualificada e a necessidade da captação de recursos através da Agência Nacional do Cinema (Ancine), as perspectivas para o futuro do mercado, em Londrina são as melhores possíveis. “A Ancine vive um momento dramático, com os recursos paralisados, o que afeta todos os projetos não só de Londrina, como do país”, lamenta a roteirista Alessandra Pajolla. “Torço para que essa triste fase passe logo, porque o audiovisual é fundamental para a cultura e também para a geração de empregos”, completa

Para Guilherme Peraro, Londrina tem pessoas interessadas em fazer cinema e isso é importante para garantir o futuro da 7ª arte. E reforça, que a capacitação de pessoas e das produtoras são fundamentais. Também, segundo ele, o arranjo produtivo local tem trabalhado para firmar parcerias com os governos local e estadual para viabilizar recursos para as produções. “O APL tem trabalhado para que esses itens sejam garantidos. Com isso teremos boas perspectivas para o futuro”, acredita.

Animado com o que vê na cena local, o diretor Rafael Ceribelli, tem uma visão otimista para o futuro do cinema do município.  “As perspectivas são de gente nova sendo inspirada por uma geração que passou do cinema londrinense. A renovação do pensamento no cinema é o que faz uma cena, a cena nunca é feita de uma pessoa só”.

Para ele, enquanto Londrina mantiver esse espírito cultural, o cinema resistirá, pois tem como uma de suas principais características vencer o tempo. “Um filme marca um momento da vida de todo mundo que participou. Isso que é gratificante. O cinema te dá uma perspectiva de eternidade e enquanto esse sentimento estiver vivo, vai existir cinema”.

 Confira a lista com algumas produções londrinenses realizadas entre 2018 e 2019

  • A Rainha Negra das Passarelas (Artur Ianckievicz, 2019, curta);
  • Dramátika (Guilherme Peraro, Jackeline Seglin, Marina Stuchi, Renato Forin, Rodrigo Grota, 2019, longa-metragem);
  • Inventário (Rafael Ceribelli, 2019, curta);
  • Nigredo (Auber Silva, 2019, curta);
  • O Bispo e o Artista: A Herança Cultural dos Irmãos Sigaud (Luciano Pascoal, 2019, longa-metragem documentário);
  • Pequenos Delitos (Rodrigo Grota, 2019, curta);
  • Redenção (Alessandra Pajolla, 2019, curta);
  • Super Família (Rodrigo Grota, 2019, série de TV);
  • Astro Negro (Gustavo Nakao, 2018, curta);
  • Grünstadt (Celina Becker, 2018, curta)
  • Hiato (Diogo Blanco, 2018, curta);
  • Isto (não) é um assalto (Rodrigo Grota, 2018, longa-metragem documentário);

*Dados APL  

** Nome dos diretores das produções

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