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Category: Cerideias (page 1 of 16)

The Passenger

Excerpt from Michelangelo Antonioni about his movie ‘The Passenger’ (1974)

The story of ‘The Passenger’, perhaps, looks like my story as an artist, as a director. I do not know if I will succumb: I am not talking about the temptation to change identity, because everyone has that. I’m talking about destiny, because each one of us carries his own destiny within him. I do not know if I will succumb to all those actions that, at the end of a life, come together to form one’s destiny. Some succumb, others does not.

Perhaps it’s a mistake to change one’s identity: you succumb to life and die. It depends on what you do once you have taken another identity. It is a presumption that will most likely bring a person into conflict with life itself. A journalist sees reality with a certain consistency, the ambiguous consistency of his point of view, which seems objective to him and to him alone. (…) After all, everything I do is absorbed in a sort of collision between reality and me. Neither lucidity or clarity can be counted among my qualities. I will never find the exact equivalent of my imagination.

The whole film is ambiguous, but I think this ambiguity is what gives it a sense of the concrete. Being, says Heidegger, is being-in-the-world (dasein). When David feels that this is the end (but even he is probably not so sure), he is no longer in the world. The world is outside the window. It is reportage on his own death.

Few people understood that behind the character of Jack Nicholson there was myself. Like him I have often wished I could change my identity, life, and encounters, forgetting my love and my duties, presences and absences to take on the identity of a stranger, to begin another adventure.

Lines to a Girl 5 Days After Her 21st Birthday

Back to the Palace

And Home to a stone

She travels the fastest

Who travels alone

Back to the pasture

And home to a bone

She travels the fastest

Who travels alone –

Back to all nothing

And back to alone

She travels the fastest

Who travels alone

But never worry, gentlemen

Because there’s Harry’s Bar

Afderas on the Lido

In a low slung yellow car

Europeo’s publishing

Mondadori doesn’t pay

Hate your friends

Love all false things

Some colts are fed on hay

Wake up in the mornings

Venice still is there

Pigeons meet and beg and breed

Where no sun lights the square

The things that we have loved are in the gray lagoon

All the stones we walked on

Walk on them alone

Live alone and like it

Like it for a day

But I will not be alone, angrily she said

Only in your heart, he said. Only in your head.

But I love to be alone, angrily she said.

Yes, I know, he answered

Yes, I know, he said.

But I will be the best one. I will lead the pack.

Sure, of course, I know you will. You have a right to be.

Come back some time and tell me. Come back so I can see.

You and all your troubles. How hard you work each day.

Yes I know he answered.

Please do it your own way.

Do it in the mornings when your mind is cold.

Do it in the evenings when everything is sold.

Do it in the springtime when springtime isn’t there

Do it in the winter

We know winter well

Do it on very hot days

Try doing it in hell.

Trade bed for pencil

Trade sorrow for a page

No work it out your own way

Have good luck at your age.

  • 1951 ‘Ernest Hemingway – Complete Poems’

O Cirquinho do Teteu

Ele tinha, pelo que me lembro, talvez dez ou onze anos. Era o mais novo dos irmãos e havia montado, no quintal da sua própria casa, uma tenda improvisada com algumas cortinas sustentadas por cabos de vassouras velhas. No centro, um balde de lavar roupas virado ao contrário. Ao redor, algumas banquetas para o respeitável público assistir ao espetáculo. Pregada com um alfinete, uma folha de papel anunciava a atração principal: o palhaço Teteu.

Aquele era seu palco. Era o maior circo do mundo; igual aquele no qual seu pai (que ele nunca conheceu) tentou fugir com a malabarista alguns anos antes. Igual aquele que ele – nas noites de verão em São José do Rio Preto – vendia pipoca na pracinha da frente, tentando espiar por entre as frestas para ver alguma coisa.

Ele saiu de casa para chamar os amigos. Quando voltou, tudo estava destruído. Na parede, letras grandes escreveram com giz: “O Cirquinho do Teteu abriu falência”. Alguém tinha acabado com tudo. Eu ouvi essa historia de meu avô muitas vezes. Em uma delas, ele me confessou que chorou.

Onze, cavalo. Doze, elefante. Treze, galo. Quinze, jacaré. Os números do jogo do bicho eram uma daquelas coisas que ele nunca esqueceu, mesmo no fim da vida. Quando tinha quinze anos, ganhava alguns trocados vendendo cartelas em uma banca de jornal e por isso precisava saber os animais de cor. Um dia, ele arriscou e acertou “na cabeça” de uma dezena. Eu lembro dele sorrindo contando essa historia, enquanto a gente subia a ladeira para seu antigo escritório no alto da Lapa. Ele me contou que pegou todo o dinheiro – sua pequena ‘fortuna’ – sentou em uma pastelaria e comeu três pasteis e um guaraná de dois litros. Ele sempre havia sonhado em fazer isso. “Rafinha, foi o dia mais feliz da minha vida”.

Eu cresci ouvindo as historias do meu avô. Ri muitas vezes das mesmas piadas. Cresci sabendo que ele tinha uma ironia inteligente (e sarcástica) por trás de todos seus atos. Entendi meu avô, minha família e minhas raízes através dos antigos filmes italianos, caminhando por pequenas vilas, comendo pasta e assoviando; enxergava ele em todas as esquinas da Itália. Aprendi a ter prazer em cada pedaço de pudim de leite.

Dizem que, quando um homem morre, um universo inteiro se apaga. Eu tenho lágrimas nos olhos pensando nisso, sentado em um banco de um pub vazio a dez mil quilômetros de distância de casa.

Sei que, no fundo, não é verdade. Teteu, onde quer que você esteja, seu universo se expandiu; a escalação do América –  Seu irmão Ernanes jogando bola – O terrível bandido Lino Catarino – As mulheres turcas da vendinha no centro de Rio Preto – O velho Francesco dançando e tocando gaita com sua longa barba branca.

As cortinas do seu palco estão fechadas, mas suas historias caminham comigo na neblina dessa noite. Vou guardar elas com minha própria vida. Obrigado por tudo, vovô. Eu sempre vou te amar.

retirado do livro ‘Dylan on Dylan’. traduzido por ceriblog.

Existe uma historia de um monge que diz o seguinte:

De uma criança você deve aprender (1) Seja sempre Feliz (2) Chore por tudo o que você quer.

De um ladrão você deve aprender: (1) Trabalhe de Noite (2) Se você não Conseguir o que Quer, tente Novamente na Próxima Noite (3) Ame seus Companheiros de Trabalho (4) Arrisque sua Vida por Pequenas Coisas (5) Não dê muito valor a Nada, mesmo que Tenha Arriscado sua Vida por isso – Faça como um Ladrão, revenda o objeto por uma Fração do seu Valor Real (6) Suporte todo o tipo de Misérias e Torturas, mas Permaneça quem Você é (7) Acredite que seu Trabalho vale a pena e não Mude de Opinião.

Eu achei isso ótimo, e tive que escrever para me lembrar.

Quando escrevo uma música penso naquela luz efêmera.

Você sabe,  é o som da rua com os raios de sol, o sol brilhando em uma hora particular, em um prédio específico. Um certo tipo de pessoas andando por um certo tipo de rua. É um som lá de fora que vem pelas janelas e que você consegue ouvir. É o som de sinos e de trilhos de trem distantes e discussões em apartamentos e o barulho dos talheres e facas e garfos e tiras de couro.

Isso é tudo – tudo que preciso está ali.

A Caça – Entrevista MultiTV Cidades (16/07/2018)

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