O Caminhante Solitário

Memorial de Jean-Jacques Rousseau no Panthéon. (Paris. novembro/2012)

“Pour connaître les hommes, il faut les voir agir.”

Eu lembro ainda hoje do dia em que ‘descobri’ Jean-Jacques Rousseau  empoeirado, esquecido em uma prateleira distante da biblioteca da Universidade Estadual de Londrina. Ele estava solitário, quase caindo de lado, em cima de uma etiqueta meio apagada indicando a sessão de PEDAGOGIA. Esse assunto não me interessava nem um pouco, mas aquele livro tinha alguma coisa de especial; mesmo meio rasgado e carcomido, alguma coisa me levou a abrir a capa amarelada pelo tempo. Na primeira página, li:

“Tudo é certo saindo das mãos do Autor das coisas, tudo se degenera nas mãos do homem. Ele obriga uma terra a nutrir as produções de outra, uma árvore a dar frutos de outra; mistura e confunde os climas; as estações; mutila seu cão, seu cavalo, seu escravo; transtorna tudo, desfigura tudo; ama a deformidade, os monstros. Não quer nada como o fez a natureza, nem mesmo o próprio homem”

Isso não era pedagogia. Isso não era fazer cantigas de roda com criancinhas batendo palmas (argh). Isto era epistemologia; e este primeiro parágrafo do Emílio abriu as portas para eu aprofundar meus estudos em Rousseau. O tema da minha conclusão de curso em Filosofia foi fruto de uma pesquisa extensa de toda a bibliografia do cidadão de Genebra; um grande pensador que permanece até hoje relegado às prateleiras erradas.  Ernst Cassirer acertou ao dizer que Rousseau foi, infelizmente, cunhador de slogans fáceis – daqueles que estampam camisetas junto com fotos de Che Guevara –  e por isto mesmo permanece incompreendido, afastado dos grandes continentes do pensamento filosófico. Mas ele não é mingau.

Abaixo, segue o texto na íntegra de  A Consciência, a Razão e a Regeneração Moral em Jean-Jacques Rousseau: