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two-and-a-half-stars“The Bling Ring” (Drama. USA. 90 min).  Dirigido por Sofia Coppola.  Na programação da Sessão Kinoarte do Cinesystem Londrina (Londrina Norte Shopping). Diariamente às 17h50, 19h50 e 21h50.

 

“Eu amo Los Angeles. Eu amo Hollywood. Todos são lindos. Todos são de plástico, mas eu amo plástico. Eu quero SER plástico.”  – Andy Warhol

Entre outubro de 2008 e agosto de 2009, uma série roubos aconteceram em uma das áreas mais nobres da cidade de Los Angeles. Os ladrões, aparentemente, sabiam sobre todos os passos de suas vítimas, e conseguiam entrar nas mansões de celebridades sem deixar nenhum vestígio de arrombamento, levando apenas itens de alto valor. O caso intrigava a polícia: seria uma quadrilha internacional de tráfico de jóias? Uma rede criminosa especializada em produtos “high end”? Um esquema envolvendo revendedores de relógios Rolex e sapatos Louboutin?

Foi uma surpresa quando revelado – através de uma investigação utilizando gravações de câmeras de segurança e atualizações do Facebook – que os integrantes da chamada Gangue de Hollywood eram na verdade sete adolescentes de classe média alta, filhos de familias ricas e praticamente vizinhos das casas que assaltavam. Liderados pela garota Rebecca (Katie Chang), os jovens “Bling Ring” roubaram diversos itens de famosos como Paris Hilton, Orlando Bloom e Lindsay Lohan, causando danos avaliados em cerca de  U$ 3 milhões de dólares.

Baseado na história real, o filme “The Bling Ring” começa apresentando o relacionamento da estudante Rebecca com Marc (Israel Broussard): novato no colégio e já taxado como um “perdedor”, o garoto homossexual é ajudado pela jovem a se enturmar com outros alunos e, em contrapartida, começa a cultivar uma paixão platônica pela melhor amiga. Logo descobrimos que Rebecca tem tendências cleptomaníacas, e que um de seus passatempos favoritos é roubar itens dentro de carros estacionados.

Ao mesmo tempo conhecemos o cotidiano das irmãs ‘adotivas’ Nicki (Emma Watson) e Sam (Taissa Farmiga), que foram retiradas do colégio para serem ensinadas pela mãe Laurie (Leslie Mann) por “aulas” baseadas inteiramente na filosofia medíocre de livros de auto-ajuda; especialmente no best-seller “O Segredo”. Apesar da suposta espiritualidade ensinada para as garotas, a vida das duas gira em torno da ostentação e da fama nas redes sociais.

Unidos pelo fascínio ao glamour e às celebridades, o grupo formado por Marc,  Rebecca, Nicki e Sam (e outros integrantes que mudam, dependendo do assalto) logo tem a ideia de invadir a casa de famosos que estejam viajando e que deixaram suas casas desprotegidas. É um roubo fácil, já que a maioria deles esquece uma janela ou porta destrancada.

É interessante perceber o quanto que a escolha das celebridades pela gangue serve como um reflexo da personalidade dos próprios assaltantes. Se a sociedade é representada pelos seus ídolos, o que dizer de uma juventude que tem como ‘modelos de sucesso’ completas idiotas narcisistas como Paris Hilton ou degeneradas como Lindsay Lohan?

Não é difícil entender os motivos pelos quais a história chamou a atenção da cineasta Sofia Coppola; a diretora de filmes como “Um Lugar Qualquer” (2010) e “Encontros e Desencontros” (2003) adora explorar o vazio existencial em seus próprios personagens – e nada é mais emblemático do que riquinhos roubando a casa de seus ídolos, movidos apenas pelo fetichismo da experiência.

Mas, se em seus outros filmes, o distanciamento em relação aos sentimentos dos protagonistas faz com que o espectador se envolva subjetivamente em seus conflitos e emoções, em “The Bling Ring” a estratégia tem efeito contrário. A atitude “blasé” dos jovens soa falsa e desencadeia um abismo emocional extremamente prejudicial à narrativa, que já é cheia de furos e que se revela, cada vez mais, episódica e sem fluidez. Percebendo a falta de ritmo na história, Coppola ainda tenta ‘remendar’ o roteiro com discursos em ‘off’ de seus personagens principais, em uma atitude que só serve para enfraquecer o impacto das ações na tela.

Por isso que, mesmo contando com uma ótima fotografia de Harris Savides e Christopher Blauvelt e com boas atuações do seu elenco principal – com destaque para uma pervertida Emma Watson – “The Bling Ring” acaba decepcionando como filme. Os personagens são plastificados ao extremo. Não existe significado. Não nos importamos com o destino de nenhum deles. A sensação que fica, depois de sair do cinema, é que você acabou de assistir um TMZ de 90 minutos.

 Mea culpa, talvez seja um erro esperar demais de um filme sobre nada.